Um banco de segredos
Acho que a última vez que vim ao Porto, foi para fotografar um candidato, que venceu. Recordo-me da cabeça a mil, depois de uma conversa em vídeo por uma reportagem dali a umas semanas numa capital europeia. Acho até que foi naquele dia em que me apetecia ter o telemóvel avariado, um charuto no bolso, assim como o cortador e o isqueiro de chama azul, sentar-me numa esplanada de caderno e caneta e ver onde a imaginação ou a inspiração me levasse. Foi também numa altura em que decidi mandar às malvas pessoas que nada mais me diziam do que verborreias. Só queria que alguém me dissesse que eu estava certo, que fizesse apenas o que me desse gozo. Apaixonei-me pela fotografia muito depois das palavras, essas, acho que cresceram na meninice e a aversão a números. Tinha a minha câmara na mochila, mas não o charuto. Tinha a vontade de parecer ser mais um turista. Óculos escuros, boné na cabeça, deixei o carro numa das íngremes ruas perpendiculares ao oceano. Ainda não tinha dad...