Mensagens

Um banco de segredos

Imagem
Acho que a última vez que vim ao Porto, foi para fotografar um candidato, que venceu. Recordo-me da cabeça a mil, depois de uma conversa em vídeo por uma reportagem dali a umas semanas numa capital europeia. Acho até que foi naquele dia em que me apetecia ter o telemóvel avariado, um charuto no bolso, assim como o cortador e o isqueiro de chama azul, sentar-me numa esplanada de caderno e caneta e ver onde a imaginação ou a inspiração me levasse. Foi também numa altura em que decidi mandar às malvas pessoas que nada mais me diziam do que verborreias. Só queria que alguém me dissesse que eu estava certo, que fizesse apenas o que me desse gozo. Apaixonei-me pela fotografia muito depois das palavras, essas, acho que cresceram na meninice e a aversão a números. Tinha a minha câmara na mochila, mas não o charuto. Tinha a vontade de parecer ser mais um turista. Óculos escuros, boné na cabeça, deixei o carro numa das íngremes ruas perpendiculares ao oceano.  Ainda não tinha dad...

Coisas escritas à pressa numa mesa de um bar com vista para o Atlântico

Imagem
Junho,  O teu calendário  E o sol teimavam em brincar, Comigo, às escondidas  Bebi o café e fui viajar  De mãos dadas com fotografias 

Memórias de outros verões e serões

Imagem
Hoje, calhou de passar aqui. Entre Aguda e Miramar, ou vice versa. Neste espaço vazio - ou antes, na vegetação havia um templo, chamava-se mesmo assim. "Temple Beach". Da Margarida, mãe da Bárbara, hoje, avó.  Caminhava-se por este passadiço, (imagino) já com novas tábuas, a porta envidraçada, a casa-de-banho, umas mesas típicas de bar de praia, e uns bancos altos no balcão. Lembro-me de um final de tarde, um domingo - se não me falha a memória - de ter sido desafiado para um "cozy moment" só com guitarra e voz sem engenharia de som. Era um fim de tarde com o mar revolto, algumas gotas de chuva criavam uma melodia constante que nem uma bateria de jazz e as vassouras.  Meia dúzia de mesas ocupadas. Depois de um cover de Jorge Palma e D-Black, entoei "Noite e Madrugada", um dos meus originais. Os meus olhos fixaram-se numa mesa muito perto do palco, uma rapariga e o namorado transmitiam uma aura quase tão cinzenta como o tempo. Ele disse qualquer...

Quadras da "época"

Imagem
Em Braga é tradição Mandar com o martelo No cachaço do vizinho Amanhã estará lá a cm Com um directo (é certinho!) Os números do turismo Estão em alta - felizmente O são João voltou à rua Para animar toda a gente O carteirista do vinte e sete Não tem mãos a medir Diz que se vai reformar No Verão que virá a seguir Já não vejo Tantos balões Na noite de São João Estavam à espera do desconto E esqueceram-se do cartão Vão agora à janela De nariz colado ao ar Pedem milagres ao sr da cascata Para o euromilhões poder ganhar Quem celebra o amor Em véspera de São João Merece uma vida fixe Até à hora da separação Oh Céu Que te tornas azul Nesta noite de São João Leva uma carta pregada Na vela do balão Ela não ia De certo ler O que lhe queria Dizer... Olho daqui Do solo Uma pergunta (lentamente) a arder... Queres namorar comigo? Ele haverá coisa boa Em noite de São João Ter um certame sossegado E levar o Porto a campeão Há silêncio pela rua Poucos balões no ar À pouco vi o Calado Estava...

Os aproveitadores de paixões alheias

Imagem
O município de Espinho lançou um desafio giro à comunidade em parceria com a Lipor, que caso não saibam, é uma entidade que trata por tu o lixo que nós fazemos em casa e deixamos na rua. Tem um armazém perto do aeroporto Francisco Sá Carneiro e uma vez por mês os interessados podem levar objectos e artigos que já não usem mas que servem perfeitamente para outras pessoas que não podem comprar novos. E a muito bom preço. A ideia é fazer do átrio junto às escadas do mercado e a segurança social uma biblioteca itinerante. As pessoas são convidadas a levar um livro ou dois e depois devolver. Em Roma, cidade linda que tive o privilégio de visitar no verão passado, as livrarias e lojas de antiguidades têm os livros cá fora. Nos passeios, às vezes autênticas obras de arte. As pessoas param, folheiam, e compram. Hoje fui ao mercado, uma semana - talvez dez dias - depois de ter deixado um conjunto significativo de livros em muito bom estado da minha modesta biblioteca pessoal. Estava...

Coisas escritas à pressa numa rua do Porto

Imagem
O meu coração bate por ti Mas se alguém perguntar Não confirmes Prefiro que continues A ter arritmias Quando me vês chegar

Palavras escritas à pressa no passeio com o cão

Imagem
Este baloiço aparece sempre pelo verão. Recordo-me bem dos fins-de-semana na casa dos avós, eu, de cabelo aos caracóis louro, a minha irmã de roupas coloridas e frescas a ver quem é que subia mais alto Houve alturas em que fechávamos os olhos na subida com as pernas estendidas para a frente, como que com vontade de tocar o céu. A Pisca, uma cadela que conheci cachorro até à velhice viveu naquele terreno, a maior alegria dela era quando eu chegava. Invariavelmente tirava a corrente do pescoço e via-a correr pelas escadas acima. O avô no patamar de mãos na cabeça, a avó, sempre atenta da janela da cozinha a ver qual de nós saltava mais longe. Tínhamos um atleta na família, e no tempo da pequenês, vislumbrávamos os movimentos que um dia queríamos imitar. Estávamos proibidos de saltar entre os telhados dos arrumos. Mas o tio podia fazer tudo, até dar a volta na barra de ferro que segurava os baloiços. Já a conhecera invariavelmente velha, de tom acastanhado ou cinza. Há dias em...