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Showing posts from February, 2023

Um café de manhã

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Gosto de dizer bom dia com tempo, sentar-me numa esplanada, abstrair-me do som dos carros, apenas de lembrar do cantar dos pássaros. Domingo sabe a isso (e talvez um pouco mais): a silêncio, a preguiça, a livro novo, a fotografia.

O teu livro

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 As escadas escondem segredos. Imagino as anotações nas páginas dos teus livros

Carta a um amigo

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A 21 de Março celebra-se o Dia Mundial do Síndrome de Down. Nessa mesma noite, em 2010 no Auditório da Junta de Freguesia de Espinho, o Diogo Brito e Faro leu um texto que escrevi depois de uma visita à Cerci.  "Olá amigo,  Deves achar estranho receber uma carta vinda de mim, não é que receber cartas seja uma coisa estranha mas vinda de mim seguramente que o é. Conheces-me à pouco tempo mas o que é certo é já tens tanto de mim que me leva a pensar: serei eu a pessoa normal e tu a diferente? Temos momentos de amizade e ternura que não consigo explicar. Dás-me toda a atenção do mundo, e eu... será que te posso dar essa atenção? Nasci diferente, toda a gente me olha de maneira diferente neste mundo, nesta casa enorme e redonda onde vive tanta gente. Serás tu só mais um dos que me visita regularmente. Serás tu alguém que me oferece um presente, que me fala largos minutos sobre coisas que nunca vou perceber? Porque é que eu nasci assim? Serás tu um anjo que me enviaram para que eu me p...

Sobre carris

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  Vendi-te a ideia errada que um amor assim sobreviveria a tudo, ainda hoje agradeço a loucura que cometi em te convidar para ver o pôr-do-sol. 

O homem à beira-rio

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 A água caiu-lhe mal... e ainda faltavam umas semanas para o São João... 

Sentimento no Vau

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  Tenho por vezes a vontade de saber o que é estar junto ao abismo. Talvez essa proximidade com o mar me queira um pouco mais próximo. Talvez a elegância do teu sorriso me faça dar meio passo atrás, ficas mais calma e eu - mais próximo da tua pele macia. Um dia gostava de saber a que sabe um salto :) 

Abrigo no Côvo

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  Ontem, sonhei que pássaros de leves asas sobrevoavam as nossas cabeças molhadas. Dobrei a esquina, ignorando o medo. Mergulhámos... que ao menos a maré nos leve a um porto agradável. 

Tu e só tu

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  De todos os dias seguidos que não se viam, matavam saudades em escapadas de três, quatro dias. Sorriu, ao ouvi-lo dizer: mais três dias a aturar-me - é obra! Seguiram rua abaixo, com vontade que os minutos fossem tão lentos quanto os dias passados a viver, sem pressas, sem horas, sem segredos, e se os houve foram ditos em silêncio no olhar.

O velho, o banco e o mar

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  Adormeceu sem ver o sol descer no horizonte. Quando acordou a brisa marítima trazia o cheiro a mar picado, e uma dor estranha no pescoço. 

Sétimo céu

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O teu rio cheira a verdade A tua margem a saudade 

Do jardim ao porto...

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  Tiveram a ideia de sair na estação de metro ali mesmo ao lado. Caminharam, de mãos dadas até aos bancos de madeira apoiados numa pedra. Jardim recém inaugurado, paixão recém acesa. Ela sentou-se ao colo dele, sorriram, beijaram-se e fizeram promessas de um futuro bonito. Ele com medo por não cometer os mesmos erros do passado, ela com vontade de ver nele alguém diferente dentro do género. Quando o sol se sentou nas margens do rio eles escolheram ficar para ver as luzes da ribeira acesas. Desceram para o tabuleiro superior e caminharam para o Porto devagar. Ao passar numa zona do corrimão as palavras "O Porto só existe quando pensamos um no outro". - Pensas em mim? - Todas as manhãs. - E de noite? - De noite... bem, de noite sonho contigo. - Podes fazer disto uma realidade? - Só se quiseres continuar de olhos fechados... Ela sorriu, ao de leve, dizendo que tinha medo das alturas. - Vou-te contar um segredo. - É nosso? - Sim! Só nosso. - Às vezes eu não salto, com medo de voa...

O erro remendado ao fim do sol

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Foi estranho... no mínimo, estranho vê-la ali sozinha. Prometeu que voltaria àquele lugar para me pedir desculpa mas o rosto dela pedia silêncio e espaço. Prometi a mim mesmo não voltar a fazer uma asneira... a verdade é que fiz, a verdade é que escrevi o que não devia. Disse que não voltava a pensar errado, disse que não voltava a prometer o que não podia. A verdade é que fiz... Fiz asneira. Foi estranho voltar àquele lugar e encontrá-la sozinha, com ela apenas uma lágrima escorria pelo rosto. Desci devagar, desliguei a máquina, coloquei a minha mão no seu ombro. - Desculpa ter-te feito esperar. - Só sabes dizer isso? Desculpa? - Olá. Como estás? - Bem... Melhor, desde que aqui chegaste. - Ficas para o fim de sol? - E tu... ficas até quando? - Até quando quiseres. - Vamos fazer um brinde? - Beber... a esta hora? - Pode-se brindar com café ou chá. Aproveitemos o bar com a vista. - Pagas tu? - Com todo o gosto. - Com uma condição. - Diz. - Não voltes a escrever no mural. - O quê? Que te...

As devotas

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Numa igreja pequenina, talvez com um pé direito inferior à da casa onde vivo, um banco com flores e nomes de santos era partilhado por duas mulheres, uma aparentava jovialidade de outrora e outra com marcas vincadas de um passado ligado ao trabalho árduo da terra. Dotado da minha objectiva discreta aproximei-me e ouvi-las rezar o terço foi das coisas mais deliciosas, uma delas, a que aparentava ser de mais fé quase que gritava ao ouvido da estátua de um homem crucificado à sua frente. A outra, quase que falava em surdina para aquele que diz ser "a ligação de mim à minha cara-metade". Perguntei se vinham à cidade todos os anos por esta altura, responderam-me as duas que eram de lá mas que raramente iam àquela igreja. 

Um pedido a Santa Rita...

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  Todos os anos por esta altura, lá estava... Ao segundo dia do mês de Julho colocava uma blusa religiosamente guardada no baú no cimo das escadas, três dias antes lavava no tanque clássico que pertencera à mãe e passou para ela por "defeito", o irmão não era nada dessas coisas. Uma queimadura no ferro foi uma mera distração, encontrou a solução nas mesinhas caseiras da avó materna, passou no centro de saúde apenas por precaução. A enfermeira de serviço sorriu enquanto a ouvia contar a peripécia. Naquela manhã sentia-se com todas forças e mais algumas. O marido há vários anos que partira com uma doença do mar... Do mar!? Sim, engolira vários litros foi encontrado perto da praia dos pescadores. Não tem filhos, apazigua a solidão na sopa dos pobres à terça-feira com as suas melhores amigas, também elas viuvas ou solteiras da "silva". Quando a vi tive a noção clara de que se tratava de uma mulher de armas, ainda que visivelmente emocionada não chorou durante o pedido. ...

Ciclo de Conversas de Arquivo - Bárbara Lins

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  Não é a primeira e com certeza não será a última que o Blog do Obturador na sua rubrica "Obturar falando" atravessa o imenso Atlântico. Se em "Há um mar que nos separa" Leonor Andrade encontrou as palavras certas de Miguel Gameiro:    "... Se há um mar que nos separa, vou secá-lo de saudade, e apertar-te contra o peito... Beijo feito de vontade..." perceberão na nossa conversa que Bárbara Lins sente saudade do muito que já viveu. Nascida na terra do sol quente e das palavras certeiras de Jobim e Toquinho, foi com espanto que recebeu o convite para uma conversa informal sobre viagens, sobre jornalismo, sobre vida. Nunca pensou chegar tão longe o "Descobertas Bárbaras". Deu-nos a total liberdade para a escolha das imagens que povoam e recheiam ainda mais a nossa conversa.    Francisco Azevedo - Bárbara Lins, bem-vinda ao Obturador do Pensamento. Desde que lançou o espaço virtual "Descobertas Bárbaras" qual foi de facto a que mais difici...

Ciclo de Conversas de Arquivo - Rita Azevedo

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Bob Marley afirma em canção que o sorriso é a curva mais bonita de uma mulher. Se por um lado a beleza e inteligência (nalguns sectores da sociedade) estão em pessoas distintas, a verdade é que a nossa convidada tem tudo isso e muito mais. Rita Azevedo cresceu em Espinho, a primeira vez que nos cruzámos foi num campo de voleibol na nave polivalente, usava uma trança, o número 14 e um sorriso cativante. Pouco tempo depois percebi que se tratava de alguém com coração bom, com sentido cívico e tigre a 100%.  Quase a terminar o caminho universitário na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, abraçou uma causa a muitos quilómetros de casa: Ongata Rongai no Centro Wanalea no Kenya. Tem sonhos mas depois desta aventura precisava de mais tempo para responder. Aquilo que convidamos o leitor/a é que perca muito tempo a ler a gratidão nos olhos de quem tem pouco e a tentar através das imagens conhecer um ser humano que detesta a mentira e vive apaixonada pela vida, pela MC e pelo...

Poemas inacabados I

Já faz muito tempo...  Que não escrevo sobre a lua  Essa - que um dia sonhei roubar Para ser - só - tua 

O lugar que fiz de estádio já tem iluminação

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Do miúdo que por aqui correu, saltou, pedalou já pouco resta. O cabelo já não está tão loiro, a bicicleta já deve ter sido transformada nalgum item de casa por interposta reciclagem. Hoje, ao fim de tantos anos voltei a calcorrear este largo que fiz de estádio durante a meninice. Cresci junto à escola Gomes de Almeida, quando havia folgas - adorávamos aquelas disciplinas de duas horas - era sinónimo de corrida, atravessar o descampado - que hoje é a Av. 32, e abrir a garagem do número 1077. A Lurdes, que já naquele tempo nos aturava, descia para fazer a contagem, à mesa de ping-pong havia sempre torneios de pares, no pátio a rede de voleibol com um fio agarrado a uma tabela de basket servia para treinar uns "picos" e garantir a convocatória para o jogo seguinte. No salão havia sempre alguém - ou alguns dois - a tirar a vez (que nem departamento de finanças) para a Mega Drive, a Sega Saturn, a Playstation, etc.  Hoje, ao fim de tantos anos, voltei a percorrer a calçada, ainda ...

Poesia do olhar XIV

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A manhã acordara cinzenta  A cara ainda ensonada  Resigno-me ao mundo  De mochila molhada 

O teu perfume

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Foi a primeira vez que me cruzei contigo  Passaste por mim,  Eu - de olho no menu da câmara  Escolhi o preto e branco  Deixei-me ficar para fotografar um pouco do teu perfume  

Poesia do olhar XIII

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Não sei...  Se eram estas  As pedras do caminho  Que falavas 

Pelo Porto X

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Nunca a cidade teve tanto significado  Nunca a expressão "deixa-me ficar mais um bocado"  Fez tanto sentido  Nunca aquela paisagem o cansou  Nunca o amor naquela paragem encontrou

Pelo Porto IX

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Aqui... e por aí não interessa a designação ou idade.  Apanhamos chuva, vento, mau tempo.  Vemos gente a passar confortável no automóvel  E nós à espera... do metro que dizem ser a maravilha das cidades modernas.  Nem todos passam a linha no final da plataforma mas todos têm o mesmo pensamento quando entram na carruagem amarela: que frio está... cá dentro! 

Pelo Porto VIII

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  Parecia estar ausente  Entrou na carruagem antes de mim  Sentou-se a olhar o mundo ficar para trás lá fora

Pelo Porto VII

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  Dei um ar da minha "graça"  Cedendo-te a passagem

Pelo Porto VI

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Hora de ponta De almas apressadas Em vésperas de fim-de-semana De pontes abençoadas

Pelo Porto V

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Um comboio vazio,  E tu, ali, a sorrir na publicidade

Pelo Porto IV

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Ainda sou do tempo em que te esperar ao comboio era sinal de respeito e amor...    

Pelo Porto III

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De todos os fins de sol este é o que me diz algo mais que um vento fresco a correr-me pela pele. 

Pelo Porto II

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- Maria, onde vais?  - Dar de comer às gaivotas...  E foi... 

Pelo Porto I

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 Prende-me a ti... 

Poesia do olhar XII

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  Sabes o que inquieta? Saber que fazes esse gesto para me transformar num ser mais compenetrado em te proporcionar os sorrisos que mereces... 

Poesia do olhar XI

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  Lá em baixo, junto ao cais encontro a paz para enfrentar as correntes do dia...

Poesia do olhar X

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  Não te dói saber que há quem tenha saltado por amores?

Poesia do olhar IX

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  Agora percebo porque te tratam de cidade cinzenta... não sabem ver as tuas singulares cores.

Poesia do olhar VIII

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  Em que capítulo vais nesse livro? Queres que te conte o final? 

Poesia do olhar VII

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  E sempre que regresso é como se fosse um encontro às cegas, acabo sempre por me surpreender... 

Poesia do olhar VI

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  Não ouvisse eu as indicações do nadador salvador e a tua cerveja ia literalmente por água abaixo. Salvou-se o teu vestido e o teu telefone - que guardei no bolso - para te entregar.

Poesia do olhar V

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  Capitães de areia não se juntam às sereias... contudo, em fevereiro costumam contribuir para a taxa de natalidade. Apelidam os ventos de responsáveis por tal desiderato. 

Poesia do olhar IV

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Quando nos encontrámos no metro acho que o primeiro gesto que me chamou a atenção foi a sua forma de sorrir timidamente. Pouco abaixo dos pés o aviso de ser perigoso, para não atravessar. Eu fi-lo... quanto mais não fosse para guardar na memória olfativa o seu perfume... 

Poesia do olhar III

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Ambos sabemos um segredo: as gaivotas voam para terra quando se aproxima a tempestade 

Poesia do olhar II

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  O jogo só termina quando fugir (de vez) o sol 

Poesia do olhar I

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  Num qualquer verão seguro-me À tua bóia de salvação

Ao final do dia (ou talvez um pouco antes) I

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  Sossega-me,  Isso mesmo em que estás a pensar... Que cumpras a tua promessa De a cada fim de sol, me abraçar

Crónica de um diário qualquer IV

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  As cidades vão crescendo, e convidam a um passeio por entre a natureza. Ao pé do futuro estádio crescem e rejuvenescem árvores de pequeno, médio e grande porte. 

Crónica de um diário qualquer III

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  Ainda me lembro daquela noite de Natal. A primeira sem a minha cachorra que me acompanhou durante quase quatorze natais. Um embrulho gigante e pesado em meu nome. Sonhara sempre com um drone no sapatinho, mas ele nunca chegou. Pelo menos até à data. Uma scooter Xiaomi, com zero quilómetros. Entretanto já se passaram dois natais e ela permanece como nova, a caminho dos quatrocentos quilómetros de utilização. Passear sem pressas, pelos caminhos certos e ir fotografando o que de melhor a cidade e as paisagens por aqui nos dão. Sou um defensor da mobilidade urbana, mas não deste género de "utilizadores" que deixam onde calha o meio de transporte da juventude e dos adultos mais novos. Há quem as pinte ou coloque um vinil a recordar marcas de automóveis e de motas, fazem upgrades para andar mais uma hora ou duas com ela. 

Crónica de um diário qualquer II

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Na rua paralela à da casa dos meus pais, havia um mercado. Hoje, a janela partida não deixa ver mais do que resquícios de um tempo em que havia espaço a uma gaiola, um papagaio que saudava os clientes mais conhecidos pelo nome, e por vezes, imitava sons de chávenas de café a partir. Hoje, também se partem corações de almas com saudade. Olho o cimo da rua, passos lentos em ritmo de memória já catalogada com lágrimas na noite anterior. Passa um funeral rumo ao cemitério nas traseiras da igreja. Quantas vezes não terá por aqui passado a fazer um pedido, deixado uma gratificação na época festiva... 

Crónica de um diário qualquer I

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  Apesar do emaranhado de ideias por concretizar, no céu há alguém em forma de estrela para nos guiar... 

From Porto... with love

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 Só tu, para me abraçares em segredo 

Quadrado de Instagram V

Toquei vezes sem conta à campaínha... Só para te ver correr na minha direcção! 

Quadrado de Instagram IV

As palavras de um livro fazem voar. A tua voz tem o mesmo efeito em mim. Diz-me... por favor! Estás isenta de IVA

Quadrado de Instagram III

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Um dia cometeremos a loucura de nos raptarmos sem opção de resgate. Voaremos para longe, para que os demónios não pisem a nossa sombra. 

Quadrado de Instagram II

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Acorda-me, Se o despertador soar antes do tempo em que os meus olhos se cruzem nos teus. Pelo menos, consegui ver-te a sonhar.