Posts

Showing posts from November, 2023

Balanço

Image
A um mês e um dia de fechar o ano, aproveito para fazer um balanço - antes de me fechar - para efectuar o famoso "inventário". O meu faz-se de algumas coisas, não tantas como gostaria. Até podia puxar dos galões e contar mil e duas histórias de sucesso, de ausência de pedras no caminho, de fins de tarde perfeitos sem vento, de serenidade em cada conversa, mas nunca fui de filtros. E cada vez mais me esgota a paciência para fazer de tipo simpático. Achei que as perdas que tive o ano passado e as palavras reconfortantes que fui recebendo ao longo do caminho me pudessem de certa forma alimentar o âmago. Quando estou menos positivo, só preciso de uma hora talvez nem tanto com a música nos ouvidos e o som do obturador, de beber um café sossegado e escrever qualquer coisa nas notas ou no moleskin. Mas a verdade é que cada ausência de oportunidade e o constante recordar da data de nascimento (ano de 1982) que já não caminhamos para novos ganha a cada passo um novo peso. Sei que vai ...

Notas deixadas ao calhas no telefone (cont.)

Ouvimos de mãos dadas A canção em que o Pedro dizia  "se me dás a vida inteira"  "porque só vivi metade?"  Falavas do alto da tua verdade Que não haveria outro amor igual ao meu  Mas refugiavas-te nas madrugadas Em busca de um novo Romeu Ouvi-te dizer poesia De manhã, ao cair do sol À mesa, de madrugada Hoje dizes ao mundo que não... Que para ti não sou nada Ouvimos sem nada dizer  Escutávamos até ao fim Para ti era só uma palavra Para mim era só um sim 

Notas deixadas ao calhas no telefone (cont.)

Escrevias durante a noite, De luz apagada Dizias que a inspiração chegava, Sem contares - de madrugada Longas foram as noites Em que esperei por ti  Na sombra de uma rua  Onde só eu, vivi  Agora que o tempo passa  Vais-me dizendo para ficar Desculpa, hoje não posso  Fiquei de ir cantar ao luar  Encostei o ouvido à lua Tu apagaste a luz para escrever Vai amanhã ter comigo à rua Que um dia me viu... nascer

Notas deixadas ao calhas no telefone (cont.)

Escrever-te-ia dias,  Páginas a fio  Mas apaixono-me pelas folhas do Outono Tenho que salvar as árvores do parque da minha cidade Contarei aos pássaros as palavras que te escrevi, Num café, ao computador 

Notas deixadas ao calhas no telefone (cont.)

A chuva,  De noite traz o maior dos romances Somos, por vezes sós A deambular no asfalto Até os passeios...  Ganham uma nova vida

Notas deixadas ao calhas no telefone (cont.)

Calçada bem cuidada,  Fado, Um pedaço de leitão Uma cerveja, um café Fecho os olhos e sorrio. Agradeço! Nasci, sim, português!

Notas deixadas ao calhas no telefone

Perco-me nos olhares  Que por aqui vejo passar  Ouço sons de ondas e aves  Vislumbrando nuvens no ar Roubo minutos contados  Ao tempo que teima em avançar Vou colecionando momentos  Para mais tarde recordar O canto das gaivotas Que devagar vão sobrevoando Praias outrora desertas Mas que não perdem (no inverno)  O encanto Palavras que teimo em repetir  Sons que não me canso de ouvir Momentos prazerosos para viver  E uma estrada deserta para percorrer Dos sons da cidade prefiro Nem sequer ouvir Em frente a um enorme oceano  Com tesouros por descobrir São tantas as memórias Guardadas num só lugar Nem todas são positivas Então para quê guardar? Embrulho num pedaço de papel  Atiro com pujança para o ar Ao longe uma gaivota vê Bate forte as asas para agarrar Nele escrevo o teu nome  Que prefiro ao mar entregar Talvez nele encontres Um outro alguém para amar Deixa então que parta Sem uma lágrima derramar Tenho a certeza que para lá do oceano Encontrarei o meu lugar  

Memórias de um caderno da Medieval (cont.)

15 de Agosto de 1988 - estava cinzento. Uma ida à Igreja Matriz à missa das onze, saudoso Padre Manuel, o pessoal estava numa de ir à praia, eu, ao café para ver o meu avô e eventualmente comer um croissant com recheio de maçã ou chila da Gininha. Uma ida aos cromos foi o suficiente para deitar por terra os sonhos de uma carreira no futebol: tíbia e perónio. Os detalhes do acidente vou-me abster de vos contar, mas passei um verão diferente, com gesso, um ferro e quatro parafusos. Cresci entretanto, quando olho para trás não tenho grandes memórias de como me conseguia virar na cama com gesso até ao fémur.  18h30 - escolho uma mesa afastada da esplanada. Um sol bonito aquece o centro. O café chega quente, deixo o valor certo à jovem moça que me recebe à moda antiga, com educação, simpatia e sem pressa. Os emigrantes já estão de volta e continuam a falar francês para parecerem finos, mas ao jantar, à mesa com o jogo na tv dizem em bom pronúncio nortenho - impropérios que fariam sorrir o B...

Uma noite para sempre gravada na memória da casa na Avenida Renato Araújo

Se voltar atrás no tempo, não sei o que me arrepia mais, se o dia em que me despedi (inconscientemente) do meu amigo e avô naquela sala da televisão em São João da Madeira no meu vigésimo quinto aniversário, se da forma como a vivi com ele e o meu pai. Decorria o ano de 2003, finais de maio. Na altura, a estrada para a casa dos meus avós não era tão rápida e cómoda como hoje, mas lembro-me que já jovem adulto seguia no banco de trás, janela aberta e um cachecol do Futebol Clube do Porto. Não me lembro a que horas chegámos, mas sei que foi dos dias de maior calor, vestia calções e sentei-me no sofá grande. A RTP estava em festa, a cidade do Porto num misto de festa e ansiedade, o país – algumas pessoas em Lisboa vestiam as cores da invicta e outros, bem, outros rezavam para que o Celtic levasse a taça. O jogo, aqui tão perto, em Sevilha parecia estar muito longe dos nossos melhores sonhos, antes de a bola começar a rolar. Nunca pensei poder assistir a uma final tão importante com dois p...

Uma espécie de poema pequeno (cont.)

Foste,  Sem dúvida  A música errada  No tempo certo    P.S. Nunca perguntes a alguém do jazz   

Uma espécie de poema pequeno (cont.)

Se eu pudesse...  Voltava atrás  Repetia erros - só para te provocar  Ruidosos sorrisos  Em tempos sérios

Uma espécie de poema pequeno (cont.)

Que a liberdade  Que a ti - imagino dar  Seja diferente do sentimento lutado Por Mandela (noutras paragens)

Uma espécie de poema pequeno (cont.)

Falemos de coisas  De preferência sem pressa Pelo menos - que tenhamos os dois tempo  Para assistir ao nascer do sol 

Uma espécie de poema pequeno (cont.)

Creio que precise  De olhar o mundo  Sob uma nova exposição  Mas já não se me habituaria  À claridade de um sorriso

Uma espécie de poema pequeno (cont.)

Quero muito...  Falar às estrelas  Mas vendo-as assim ao longe  Receio a crueldade das suas respostas

Uma espécie de poema pequeno (cont.)

Se o tribunal da vida  Se incomodar com um ladrão  De almas através da lente  Creio que perante a imensidão de momentos  Vividos e registados  Me considerarei - verdadeiramente  Inocente 

Uma espécie de poema pequeno

Dizem que o tempo  Cura tudo Excepto pobreza e ignorância  Que raio de ideia tive eu - em miúdo  De querer ser adulto na minha infância 

Confissões de um palhaço

Há dias em que o desenho do sorriso que sobreponho à minha verdadeira máscara faz-me acreditar que tudo na vida faz sentido sorrindo, mas não são raras as vezes em que o meu coração se sente tão apertado que nem a situação mais engraçada ou a figura mais caricata reflectida no espelho me faz sorrir, há momentos em que a minha maquilhagem nada mais é do que um escudo à tristeza visível no meu rosto, enquanto pessoa. Ontem enquanto me preparava para mais uma subida ao redondo palco do circo, sentia as lágrimas escorrerem-me pelo rosto, a maquilhagem por melhor que estivesse desenhada esborratava nos meus olhos. O nariz vermelho que todos acham graça e as crianças adoram apertar doía-me a colocar sobre o meu verdadeiro. Não é difícil estar assim depois de perder alguém que se ama, não é difícil estar assim depois de se discutir com alguém que é importante para nós... mas eu como palhaço que sou, o Sorriso deve estar sempre presente... mas há tantos momentos que as brincadeiras não fazem s...

Tenho

Tenho medo de fugir Não te sinto como quero Tenho medo de ficar onde estou... E sofrer, a sério! Tenho vergonha de te falar Tenho medo de te magoar Sinto cada vez que me ligas O coração a palpitar Sinto vontade de apagar De mim, o que se passou Esquecer a dor e o sabor da lágrima Que o meu lábio superior amparou Sinto medo de perder Sinto raiva ao saber... Diz-me tu o que queres ao certo Para eu tentar entender Pedes para que fique Ao teu lado, para sempre... Desculpa que te diga, É uma proposta indecente Em tempos vi algo em ti Que prefiro não recordar Porque sei qual era o desfecho: Era eu que ficava a chorar Guardo as imagens... Os sons, cheiros e sabores Arquivo no meu baú estes eternos... DESAMORES! Um dia novo começa... Neste palco, Neste cenário... Uma nova peça!

Folhas de Outono

O verão já lá vai O inverno ainda não chegou Vejo folhas caídas num outono Que ainda agora começou O verde, outrora do verão Transforma-se num castanho Menos bonito mas ainda assim... Chamativo Os pássaros deixam de cantar As flores ganham outro encanto Vistas em fotografia A preto e branco O sol, esse? Pouco ou nada aquece Um livro e uma lareira É o que mais apetece... Os casais passeiam-se Numa imensa paisagem... Agora ela castanha Mas ainda assim não rara e estranha Folha de outono Que nada entristece És soprada lentamente Por uma brisa de oeste Oh folha, tu que cais Quando se acaba o verão Deixa-te ficar imóvel ou voa... Para o meu coração Oh folha que estás caída Castanha e quieta Deixa-te levar além Daquela longa recta Voa para um parque Ou um privado jardim Ergue-te do chão E voa para mim Mostro-te o caminho Se me deres a tua mão Dar-te-ei o carinho e a chave Do meu coração Quem sabe Se o não abrirás e ele volte... A bater vermelho Em vez de negro ou lilás Escondes-te no inverno...

Eras só parte de um mundo

Acabaram-se as loucuras E noitadas sem dormir Acabou-se a velha história De acordar e sorrir Éramos dois corpos Apenas um coração Por vezes dizia sim Mas tu não tinhas razão Então porque deste Tal resposta tão exacta Desculpa que te diga Não é de pessoa sensata Ai amor Porque é que partiste Deixaste-me com uma dor Um vago e olhar triste Quando me falaste Desse tal nosso amor Era um mundo encantado Sem mágoa nem dissabor Aquelas mensagens E sonhos que partilhámos Faziam parte de um mundo Que ambos inventámos Agora só me resta Uma velha foto contigo Em que mostravas no olhar O amor que havias sentido O teu doce olhar A mim já nada diz Só quero que me deixes… Sonhar e ser feliz Agora no meu peito Nada sinto… nele a bater Partiste, isso é certo Mas deixaste uma parte do teu ser!

De quem sonhou acordado

A tarde já vai longa, o sol ainda queima um pouco da nossa, já morena pele do final de um verão. O rio, ali aos nossos pés refresca-nos os dedos cansados da caminhada que há pouco demos por entre verdes campos, lugares onde o homem jamais ousará colocar um prédio, quanto muito uma casa, um pequeno palácio num paraíso que se quer assim.... de tão belo que é!  Os nossos corpos entrelaçados fazem-nos acreditar que o amor seria para sempre, viveríamos numa praia onde as águas eram cristalinas, os peixes nadam a nosso lado, a típica história de crianças do "Amor, uma cabana e felizes para sempre". Custa muito saber que daqui a umas horas vamos regressar ao mundo, que afinal é o real. Aquele em que os carros fazem parte, os prédios com cinco e seis andares "poluem" a vista das pessoas. As crianças não brincam descansadas nas ruas, os jardins, aqueles que nos passeámos em pequenos hoje são autênticos parques de estacionamento.... Neste sonho que teimamos viver todos os ver...

Existir sem ti?

Essa é uma pergunta... Que com regularidade me faço Relembro histórias de um presente Marcadas num só compasso Lembro as conversas As histórias e as canções... Tudo aquilo que vamos guardar Para sempre nos nossos corações Faço-te companhia Digo-te um vincado Olá Sorris para mim e dizes: - É tão bom ter-te por cá Existo sem ti? Pergunto vezes sem parar Digo logo que não! É impossível contigo não estar... Não te quero perder Não quero recordar Quero antres voltar a viver E contigo me perder a passear Perdemo-nos pelo campo Na montanha, na cidade É-me impossível viver Sem seres parte da minha identidade Pedes um motivo para ficar Dou-te dois para não partir Pedes-me um abraço Dou dois para te poder sentir Existi... parcialmente Mas tu apareceste vincadamente... Neste meu mundo Em que vivia independente Não tinha razões para sorrir Não tinha momentos Para a cem por cento... Quem sabe SENTIR... Existir sem Ti!? É uma pergunta? Acho que não Sabes bem que é impossível Não povoares o meu coraç...

Cidade - que digo ser - minha

A cidade já dorme Os carros conto pela mão Desde o palácio à torre Tudo está no meu coração A algazarra matinal O trânsito que não cessa Tornam cada manhã Uma chatice imensa Perco-me em becos Percorro ruelas e avenidas Tudo isso faz sentido Se o fizer contigo A bela da cerveja A incrível da francesinha Faz com que sinta esta cidade Leal, como se fosse minha Leva-me a perder Mostra-me o que escondes Leva-me aos Aliados E a passar nas velhas pontes Percorro as escadarias Páro para restabelecer Para poder voltar à cidade Que um dia me viu nascer Sento-me num banco Todo ele me parece um anfiteatro Olho o velho Douro Por ele passeia-se um barco Apinhado de turistas Que não escondem a emoção Dizem sem qualquer problemas: - O Porto é mesmo uma nação! Nação de homens e mulheres Trabalhadores sem igual Cidade justa e reservada Eterna Menina Leal Leva-me ao casario Faz-me acreditar... Que não há no mundo Uma cidade à beira-mar Como esta... A que me transporta A que me ensina A que me guia... Par...

Talvez um dia

Talvez por um instante Te possa numa rua encontrar Talvez um dia te encontre Num passeio à beira-mar Talvez um dia te conte O que um dia senti Talvez chegues a saber Que gostei de tudo em ti Talvez te possa um dia ligar E quem sabe Nos perderemos no tempo A conversar Convido-te para um almoço Para uma tarde diferente Abraçamo-nos porque temos saudade Choramos porque somos gente Somos gente diferente Amigos até à eternidade Ficará o Porto para sempre ligado à nossa real amizade Talvez um dia me ligues E fiquemos até tarde a conversar Talvez ganhe coragem e te peça Uma oportunidade para amar Peço-te um abraço Um beijo, Um gesto Quer ele nobre ou singular Talvez nesse dia percebas Que será preciso um mundo inteiro Entre nós... Para nos separar Em tempos algo mostrei Numa canção o que sentia Hoje sinto para lá da saudade Uma enorme alegria Sinto, porque sei Que estiveste presente No dia em que eu não era E precisava de me sentir gente Um dia escrevo uma canção E a cante para ti Talvez perc...

Uma gaja acabada em IA

De quem será este corpo? Por trás do meu espelho? Vejo, vejo Mas nele não me revejo De quem será este corpo? Mal feito... Tanta gordura Preciso de fazer exercício Para manter a postura Lutei tanto para ser modelo Acreditem... Lutei até mais não poder Não sabia que para ter um contrato Não poderia mais comer Quem é esta gente? O que fazem aqui? A cumprimentar a minha mãe E a minha mana Nini Vejo-me aqui deitada Ao lado da minha avó e da minha tia Talvez por causa de uma gaja Chamada ANOREXIA

Um tal mundo

Um dia pediste um pedaço de céu E eu dei sem me esforçar Um dia pediste-me um minuto Para me conhecer e respeitar Um dia achei que o mundo Se abriria para mim Afinal foi um sonho Na realidade não era assim Pediste-me o tempo Esse tal que teima em não passar Pedi-te uma oportunidade E tu não soubeste dar Sonhei contigo Vivemos um sonho perfeito Em que nós éramos um todo Um só corpo sem defeito... Um dia acordei Vi o mundo cair aos pés Não estava já, é certo Na idade dos porquês Ao invés de esquecer Chorar e recuperar... Parei... Adormeci e sonhei Sonhei um novo mundo Nele estavas meia presente Tinhas partido na vida real Mas nele não estavas ausente Abraçavas-me como só tu sabes fazer Sussuravas-me ao ouvido E eu adormecia no leito Do teu ser Partilho contigo um mundo E uma lágrima sem querer Dás-me um leve beijo E choro porque só sei ser... Verdadeiro! É assim que me vejo É assim que quero ser... Porque só assim Serei capaz de viver!

Há dias...

Há dias que sinto... A saudade... Outros em que parece Que tudo faz sentido Partiste para me guiar Para me ver crescer... Fugiste para longe Para deixar de sofrer Falo-te ao deitar Digo bom dia ao amanhecer Sinto a tua falta...  Vazio no meu ser Tem dias que canto Uma canção A tal... Que me liga a ti Sinto-me tao bem E tão perto Que por breves momentos... Te consigo ouvir Falei-te de um sonho Que agora estou a viver Senti necessidade de te contar Para me ajudares a crescer Sinto que te posso ter Mesmo não te tendo Hoje vivo o presente E só agora o entendo... O tal mundo que vivo No qual passaste Quer queiram quer não A tua marca em mim deixaste Hoje apeteceu... Escrever para te lembrar E dizer-te bem ao ouvido: - aqui e o teu lugar... Ao meu lado A pouca distancia de mim Porque há dois anos para ca Que não e assim

Ao cair o pano... vou pensar de forma clara

Há momentos em que penso... Momentos que sinto... Segundos que conto... Aumentando mais um ponto Minutos contados Segundos mais que contados Momentos belos... Sempre saboreados A fotografia que captei O beijo que dei O abraço que recebi A paisagem que contigo vi O Porto que nos espera O rio que nos sossega A paisagem revelada Para lá da Afurada As galerias no centro A torre bem lá no alto O triste e velho casario E as marcas de um já velho asfalto... Há momentos que te sinto... Outros que te tenho Porto, ai meu Porto Cidade do teu tamanho Mas que cabe na minha palma E na tua direita mão... Isso só é possível Porque a temos no coração Sinto o Porto ao te ver Vivo em cada amanhecer Sinto-te mesmo não te tendo... Mas tudo chegará a seu tempo O rio sempre o vi A cidade nunca deixei de sentir Talvez isso aconteça... No dia em que eu já não existir Leva-me contigo... Sente o Porto que tens em mim Que esta seja uma história... Um amor que não tenha fim

Sonho por encomenda

Talvez por um minuto me sinta Aquele que um dia sonhei ser Preocupo-me não raras vezes Com aquilo que podia ter O sonho... Esse sempre com pronúncia Faz parte de um catálogo Que sempre anuncia Felicidade Harmonia Paz e... Eterna alegria Palavras, definições? Essas, nem sempre fazem sentido Porque não raras vezes Damos o dito por não dito Sonhos inacabados Promessas por cumprir Por vezes faltam-nos motivos Para olhar o espelho e sorrir Sonho por catálogo Felicidade por encomenda Se quiser um dia ser feliz Terei de pedir uma nova ementa Felicidade para entrada Amor como prato principal Se te tiver como sobremesa Era um menu ideal Ou diria antes irreal? Já que não foste nunca a rainha Nem eu... O herói principal

Última carta que te escrevo

Lá, ao longe o som de pássaros e da água a correr lentamente pelo vale, surgem-me em catadupa sonhos e pensamentos partilhados. Não sei porquê, mas nestes últimos tempos tenho querido estar perto ou até mesmo nos lugares onde fomos felizes. Será saudade ou vontade de te expulsar ainda mais de mim? Cada vez mais, desde que aqui cheguei, sinto pedaços de ti a saírem do meu corpo, tudo o que me deste, em forma de amor e não só vão agora rio abaixo tal como a famosa garrafa que te leva esta mensagem. No filme, que tantas vezes revimos, era uma mensagem bonita, de amor, nesta carta que agora te escrevo vão o que resta do meu desamor.  Fez-me, afinal bem, regressar onde já fui feliz mesmo que esses lugares estejam repletos de traços teus, ainda me lembro que foi junto àquela árvore que fotografei o teu corpo quase avermelhado pelo incrível sol de Agosto. Naquela água transparente perdemo-nos em beijos e amaços, deixavas-te cair nos meus braços porque estavas segura do meu amor, mas... e eu? ...

Poema vindo de uma montanha

Do mundo frenético Prefiro não ter notícias Deixo-me ficar parado Para recuperar as energias O som que da montanha vem Invade-me os sentidos São sons de pássaros Que se encontraram perdidos A escarpa que se estende Para lá do horizonte Mostra-me um céu azul Vindo não sei de onde Um ou outro som De carro a passar Não me afectam os sentidos Nem a vontade de estar Parado E ouvir... Tudo aquilo que a Natureza Me quis fazer sentir Para lá dos montes Haverá uma parte Em mim, deste pequeno Horizonte

Final de tarde junto ao mar

Image
Hoje, Talvez o tempo me leve um pouco atrás E me ajude a resolver questões Que então aí não fui capaz O tempo foi um aliado Hoje é apenas mais um Neste poema Que agora escrevo, inacabado Marco os meus pés Na areia inexplorada Não troco este som Por tudo ou quase nada O sol vai-se escondendo Por trás da linha De um horizonte Que sempre se vai mantendo Hoje, Talvez o tempo passe devagar Quem sabe ele queira Que eu fique a pensar Que mantenha os pés desenhados Na areia inexplorada Que sinta o acordar da noite Depois de um dia de sorte disfarçada Deixo-me ficar Sento-me e respiro O ar de mar Com que me identifico Nela, escrevo o teu nome Em ti revejo-me Em toda a parte E mais não sei onde O sol vai fugindo O meu eu esquece O passado e vive Desafogado No calmo de um final de tarde Típico de um qualquer verão Deixo-me ficar a ouvir no mar Reflexos do meu coração Ele nunca esconde Nem sequer mente Talvez seja ela que eu encontre No meio desta gente Deixo-me ficar A ouvir Vou sentir E guardar ...

Ao espelho, a escrever

Há muito que a caneta estava fechada. Nem sei porque é que peguei neste objecto, que tantas vezes foi de tormento nos sempre temíveis exercícios de matemática ou nas mais simpáticas divagações filosóficas de um adolescente com ainda pouco jeito para as palavras. Apenas sabia que não gostava de números! Há muito que quero escrever algo que fique gra vado muito para além de um post de facebook ou de um qualquer blog... Há tempos alguém me disse que um copo ajuda a escrever, mas sempre ouvi dizer que bebemos para esquecer e isso, sinceramente, não me apetece...    Porque escrevo? Tantas vezes me coloco essa questão, mas não obtenho solução. Já consegui escrever sobre o amor, divaguei sobre a saudade e elogiei a minha mui nobre cidade, já fiz críticas literárias, já escrevi sobre filmes que vi, dos quais gostei e me marcaram como pessoa e escritor, se é que me posso apelidar de tal. Curiosamente, nunca consegui divagar sobre a minha escrita, saber o que ela representa para mim como leitor....

Um ano (ou talvez dois) visto por mim

Chegou Janeiro Lá acordo eu Depois de dormir O inverno inteiro Eis que chega Fevereiro Preparo-me para dias De intenso E matinal, nevoeiro Eis que chega Março Estamos quase no verão E agora, O que faço?Chega Abril Que chatice Águas mil Chega Maio E eis que escolho Um belo e novo Galho Chega Junho O calor As meninas, E o seu esplendor Chega Julho Estou cansado E com calor Estou a precisar de um mergulho Chega Agosto O Verão já me deixa Um pouco Mas só um pouco, indisposto Chega Setembro Vem a época Do sol posto e incerto Bom tempo Chega Outubro Vou à loja de conveniência E peço que me façam Um simples embrulho Chega Novembro De novo O tal do Tormento Chegou Dezembro Impossível Já ter passado Este tempo Ainda ontem era Janeiro E eu tremia pelo corpo inteiro Chegou Fevereiro E eu a ansiar pelo tempo Do veraneio Chegou Março E eu mudei-me Para outro espaço Chegou a Abril E eu a rezar Para que não chegassem As águas mil Chegou Maio E eu sem querer Mandei um malho Chegou a Junho... E aleijei...

Notas de rua

Saio sem saber O que vou então fazer Vou partir para outro lugar A fim de me conseguir libertar Salto barreiras que julgava Desde logo, intransponíveis Hoje sei, são desafios Irresistíveis Corro sem me cansar Por campos e terras desabitadas Escolho viver em cidades desertas De pessoas mal-habituadas Sonho com sonhos adormecidos Amores não correspondidos Paixões vividas Noites clandestinas Hoje vagueiam pelas ruas Mulheres cheias de adornos Vagueiam, recheadas de tanto Mas ao fim e ao cabo, nuas Despidas por fora Reflectem apenas parte de uma alma Que se vende por tudo A troco de quase nada Na calma da noite Visto o que mais quente tenho Vou vendendo ilusões Maiores ao meu tamanho Escrevo em paredes destruídas Nomes de quem não conheço Mas que lá no fundo Lhes agradeço Tenho fotografias esquecidas Espalhadas por tantos lugares Visito museus e casas De alguns particulares Sinto a vida a adormecer E eu ainda agora acordei Vou viver, Porque agora sei Na calma da noite Apenas um som ao long...

Sonhador de rua

Em tempos fizeste-me crer Que o mundo era o tal Onde se tinha toda a pressa Para viver Corríamos diariamente Sem pensar que devíamos parar E respirar... Suavemente Dizias que era o cantor de sonhos Vendia encantos e amores Recebia em troca palmas Saudações e louvores Chamaste-me sonhador Disseste para ir à lua Disse-te: Secretamente vou Para te imaginar nua Percorri o mundo Da palma da minha mão Sabia bem que lá no fundo O meu tinha solução Fui guardando momentos Respeitando sentimentos Fui escrevendo Para me ir esquecendo Chamaste-me sonhador Mandaste viajar para a lua Ainda pensavas que te queria Ver só, toda nua Entregaste-me num hospital Não percebi bem qual Lembraste-te de dizer Foste tu que me fizeste crer Que haveria do lado do mundo Um tal outro Que se conhecia Num micro segundo Agora perguntar-te-ia: - Afinal quem é sonhador? Aquele que escreveu Ou aquela que lia? Partilhei mundos Muitos deles, inventados Hoje vivemos em diferentes segundos Por nós, singularmente marcados Segu...

Segredos guardados em papel de jornal

Secretamente vou guardando bilhetes que contêm segredos inexplicados. Nestes restos de folhas de papel branco vão sendo revelados ideais e ideias mirabolantes, de revelações constantes. Na calma da noite vou construindo um puzzle que se vai moldando com sinais teus, não que sejam nítidos à primeira vista mas vai-se tornando decifrável. Construo a par e passo, utilizando sempre o mesmo compasso para que não me perca em velocidades furiosas ou vagarosas. Deixo-me ficar na minha sala, com vista para o mar, o piano sempre com a cauda aberta com vista para o infinito... Vou escrevendo páginas sem sentido, sentidas sensações nunca antes vivenciadas. Vou ficando a pé e contemplando madrugadas. No silêncio da noite ecoam risos teus em sonhos que não são mais do que ilusões de um eu inexplorado, de um eu guardado a cada canto nesse encanto que és tu. Vislumbro pegadas ainda marcadas no chão areal que se espraia em frente a minha casa, a casa do lago onde nos perdemos em ilusões e paixões. Vais-...

Um encontro por acaso - 2

Encontraram-se à hora marcada, ela chegara mais cedo uns minutos, ou simples detalhe ou uma louca vontade de o voltar a ver. Sentou-se na mesa da janela, para o ver chegar. Lá fora, um belo jardim em tons ainda esverdeados imanava tranquilidade. Ele chegou uns minutos depois, à hora marcado, debaixo do braço um bloco de notas encostado à capa protectora do tablet que comprara umas semanas antes, com a desculpa de poder levar dezenas de livros e uma aplicação para desenvolver ideias musicais, coisa que até então não tinha. Ele sabia escolher os melhores lugares para a levar, queria-a impressionar, mostrar-lhe o melhor do seu mundo, um mundo que ao fim e ao cabo era dele e de todos os que lá moravam. Não estava muito frio, sugeriu-lhe uma mesa no jardim de inverno, encantador para quem conhece aquele lugar. Ela, embevecida com tudo o que ele lhe proporcionara nos últimos dois dias fez questão de pagar o café, claro que o que queria era ter uma desculpa para o voltar a ver no dia seguinte...

Um encontro por acaso - 1

Ela não o viu entrar. A única mesa vaga era ao seu lado. Sentou-se, de auscultadores apoiados no gorro não pediu permissão ela olhava a janela em busca de inspiração, tinha chegado à cidade para visitar a melhor amiga. Pediu um café, que por norma chegava frio, do bolso das calças retirou a caixa em metal de pequenos charutos cubanos, e ficou virado para a rua. Sorriu, pediu desculpa. Ela, embaraçada, corou. Retirou um papel da carteira e escreveu qualquer coisa indecifrável aos olhos dele, não sabia o seu nome.  O empregado, vestido com a fatiota de quem é da casa, cumprimentou-o com um firme aperto de mão e um "este ano ninguém nos tira a taça!". Ele sorriu, concordando. Colocou um pouco de açúcar na chávena branca, mexeu sem muito vigor como gostava de fazer, ao fim e ao cabo ao lado estava uma menina bonita. Embasbacado com o seu sorriso e o cabelo liso - coisa que sempre gostava de ver numa mulher - sorriu ainda mais na sua direcção.  - Chamo-me Teresa.  - E eu, Francisc...

Memórias de um concerto na Casa da Música

Image
Hoje Só hoje Deixa que a voz Te leve aos lugares, Às pessoas À verdade

Memória da medieval antes do covid

Image
  Nunca soube o seu nome, Quando nos cruzámos Foi como se o mundo tivesse parado Cedi-lhe passagem Ficou à minha frente No espectáculo da noite Trazia uma croa bonita no cabelo Cheirava bem Tinha tomado banho de rosas (creio eu) Porque não vi Hoje procurei-a pela internet Dei de caras com a sua imagem A mesma fotografia O mundo parou E mesmo (assim) Ela nunca soube Que eu estava ali Por ela...

Horas longas

Image
Chegou a altura do ano das tardes mais longas. Das juras de amor eterno enquanto o sol desce no horizonte. A época dos gelados partilhados, dos beijos encontrados num banco de areia. De jogos em que o menos magro vai à baliza e o mais baixo joga a central só porque sim. Há trinta e tal anos atrás a minha mãe chamava da janela, apanhava o comboio em primeira classe com o meu avô. Adormecia de janela aberta na casa da avenida. O tempo voou. Quando dei por ela fiz quarenta voltas ao sol, já não jogo na areia e o pôr-do-sol tenta encontrar nas ondas o som de outros tempos.