Coisas escritas no caderno - 6 -

 Não parecia ser verdade. Havia-a idealizado para as páginas de um romance. O café estava barulhento, menos mesas no interior para receber mais uma noite de música. O computador ligou em poucos segundos, do arranque à aplicação de origem literária. Para me obrigar a escrever, para me incentivar a criar. Peço um café que me chega quente, bem servido pela jovem moça que me sorri sempre. Quando falámos - sempre por mensagem - imaginei como seria o seu tom de voz, a sua estrutura física e o que trazia vestido. Chega-se ao pé da cadeira, sorri e pergunta se se pode sentar. Usava um perfume com aroma a maresia. Estacionou do outro lado da rua, a poucos passos do edifício do tribunal a receber tratamento de "beleza". A sua estátua imponente não carece de arranjo. Mantém o ar altivo, distante, impenetrável. Pergunto o que quer tomar, ficaria também por um café e uma conversa. Descrevê-la numa página em branco e depois ouvir a sua voz faz de mim um ser com sorte. Há dias em que a literatura me basta, outros, sinto a falta de gente. Daquela pessoa que me faça acordar com um sorriso, que me desafie a ser melhor pessoa. Dou por mim a escrever na minha mente o final da história. 

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