Palavras escritas à pressa no passeio com o cão
Este baloiço aparece sempre pelo verão. Recordo-me bem dos fins-de-semana na casa dos avós, eu, de cabelo aos caracóis louro, a minha irmã de roupas coloridas e frescas a ver quem é que subia mais alto
Houve alturas em que fechávamos os olhos na subida com as pernas estendidas para a frente, como que com vontade de tocar o céu. A Pisca, uma cadela que conheci cachorro até à velhice viveu naquele terreno, a maior alegria dela era quando eu chegava. Invariavelmente tirava a corrente do pescoço e via-a correr pelas escadas acima. O avô no patamar de mãos na cabeça, a avó, sempre atenta da janela da cozinha a ver qual de nós saltava mais longe. Tínhamos um atleta na família, e no tempo da pequenês, vislumbrávamos os movimentos que um dia queríamos imitar. Estávamos proibidos de saltar entre os telhados dos arrumos. Mas o tio podia fazer tudo, até dar a volta na barra de ferro que segurava os baloiços. Já a conhecera invariavelmente velha, de tom acastanhado ou cinza. Há dias em que uma música (Mingos e Samurais) ou uma guitarra que ainda resiste ao natal de 1989, leva-me por verões de São João e aquela estrada que pedíamos ao sr. Pinto para andar mais depressa. Foi um feliz regresso à cidade, passar em frente a casa e imaginar as divisões, o tilintar dos talheres. Eu, desde uma certa idade, ganhei o direito a sentar-me na cabeceira ao lado do meu avô. De calções, olho para os joelhos, e ainda permanecem as medalhas de bom comportamento. A avó protegia-nos sempre!! E a aletria leva-nos a essas paragens. Um dia hei-de lá voltar, antes que se transforme noutra habitação. Tomara que hajam netos e primos com vontade para que chegue Junho e as férias grandes.
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