Mensagens

A mostrar mensagens de maio, 2026

Passos da tarde

Imagem
Aproveitemos o lento andamento do jazz que me preenchem os canais auditivos e façamos de mais um passeio o acumular não só de passos mas de memórias. Os cães não ficam para sempre, a sua missão é trazer motivos para sair, ver o sol nascer e a pôr, conhecer o sabor da liberdade e da maçã acabada de cortar. 

Um pôr-do-sol sem pressa

Imagem
Nunca cheguei a saber o seu nome. Tinha acabado de chegar ao lugar mais icónico da região centro do país, para acompanhar na medida do possível um grupo de peregrinos da minha Paróquia. São peregrinos, mas muitos são amigos, outros passaram a ser, e na hora da chegada, os abraços são autênticos. Mas o meu olhar e lente fixaram-se nela.  Tinha um ar terno, a mochila, de tons escuros pousada ao lado, sapatilhas gastas pelo percurso, um terço em tom de pedra natural, daquelas que encontramos na praia da nossa cidade. Fiz um retrato, deixei que os nossos mundos se cruzassem ainda que por breves momentos. Baixou o queixo geometricamente perfeito, de phones nos ouvidos desabou num pranto.  Não tinha ninguém por perto. Por ela passaram grupos grandes, peregrinos de joelhos até à Capelinha das Aparições. Um grupo de Cabeceiras de Basto sorri-me, encontrara-os em Cernache, próximo de Coimbra. A noite chegou sem pressa. Ainda tentei no meio do mar de gente vislumbrá-la, quiç...

O voo melancólico da manhã

Imagem
Conjugar suplementos num centro comercial às portas de um hospital. O Campus, quem está sentado numa cadeira a imitar a palha da praia e aguarda uma chamada a dizer "já estamos prontas, podes vir" parece um shopping normal, daqueles com vista para o rio ou a sempre caótica aep. O carro estacionado no parque através da via verde, uma voltinha rápida para encontrar um lugar ao pé das escadas. Sei de cor as lojas, a sua localização e os restaurantes para enganar a fome e esconder os receios de uma consulta no SNS.  A menina do Café Arcádia sorri, dá os bons dias e prepara o meu pedido com mais cuidado e atenção que uma pessoa da repartição das finanças. Sento-me com vista para um placard de publicidade a imitar madeira e pvc com tudo o que faz mal mas sabe terrivelmente bem: quindão, tarte de limão, bolo mousse, tarte de amêndoa e bolo de chocolate ao estilo do Dubai.  A poucos metros de mim, uma jovem moça de unhas pintadas da cor do Benfica, abre a garrafa de frize...

A vontade, independentemente de tudo à volta estar caótico, regressou

Imagem
Decidi tornar a ancorar no cais das palavras. Eventualmente com vontade de percorrer o dicionário das expressões idiomáticas ao latim mais reconhecido nos bancos do parlamento, prometi a mim mesmo duas coisas até ao final do verão: conhecer novas pessoas, voltar a pegar na viola e gravar o álbum que começou em 2008. No outro dia, encontrei por acaso o DVD. Deixei a empregada sair e coloquei na televisão grande da sala da casa dos meus pais. Sistema 5.1, colunas distribuídas, e memórias que nunca mais acabavam. Fazia sol, no vídeo dos ensaios o violão que me foi entregue no meu décimo oitavo aniversário pelo meu avô na cama doze do serviço de pneumologia do Hospital de Vila Nova de Gaia / Espinho, onde, de resto, está igual ao que era. Um pólo cor de laranja de um torneio de golfe que ainda me assenta na perfeição, calças de ganga que ainda estão no meu armário, apenas os óculos e a lombar fazem parte do passado. A voz doce da Tânia, a jovialidade do David, as canções feitas...