Ao espelho, a escrever

Há muito que a caneta estava fechada. Nem sei porque é que peguei neste objecto, que tantas vezes foi de tormento nos sempre temíveis exercícios de matemática ou nas mais simpáticas divagações filosóficas de um adolescente com ainda pouco jeito para as palavras. Apenas sabia que não gostava de números! Há muito que quero escrever algo que fique gravado muito para além de um post de facebook ou de um qualquer blog... Há tempos alguém me disse que um copo ajuda a escrever, mas sempre ouvi dizer que bebemos para esquecer e isso, sinceramente, não me apetece... 


 


Porque escrevo? Tantas vezes me coloco essa questão, mas não obtenho solução. Já consegui escrever sobre o amor, divaguei sobre a saudade e elogiei a minha mui nobre cidade, já fiz críticas literárias, já escrevi sobre filmes que vi, dos quais gostei e me marcaram como pessoa e escritor, se é que me posso apelidar de tal. Curiosamente, nunca consegui divagar sobre a minha escrita, saber o que ela representa para mim como leitor. Sinto, é certo, todas as palavras, mostra muito daquilo que sou naquilo que escrevo, mas não sei mais sobre mim e a minha obsessão pelas letras. 


 


Caso fizesse uma entrevista a mim próprio não teria muita facilidade. Será este "EU" que escreve um alguém dentro de mim que apenas se mostra com uma caneta ou uma viola na mão? Fará ele parte de mim ou serei eu fruto da sua personalidade? O que aconteceria se eles (eu e o outro) nos pudéssemos encontrar frente a frente. Serão estas questões parvas? Alguma delas terá sentido fora do papel? Serei eu, fruto da imaginação de um poeta que apenas vive durante o dia? 


 


Será a caneta um aliado a estes sempre actos solitários, mágicos, é certo, ou "nasce" para descobrirmos um outro Francisco para lá do Chico que todos conhecem? Se eu me perguntasse "Porque escreves" acho que demoraria um pouco a responder, mas dir-lhe-ia de forma convincente: 


 


- Escrevo para me diferenciar do resto dos outros que apenas vivem com eles próprios. Conheço os meus medos e sei de cor os meus sonhos. 


 


Se calhar a caneta veio para me ajudar a descobrir quem sou e o que estou a sentir. Agora, digam-me de vossa justiça: 


 


- PREFEREM-ME A MIM OU AO OUTRO? 

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