Dia dos fiéis

FB_IMG_1762040277735.jpg Calhou de passar, hoje, já com a companhia da lua naquele que eu chamo, o lugar do eterno descanso, aqui, tão perto de casa. A imagem não é de agora, nem sequer do lugar que agora vos descrevo, mas tive pena de não ter o telefone comigo.


As velas dão-lhe um valor poético, fotograficamente interessante, mas nos outros trezentos e sessenta e três e dias ficam entregues às suas sombras, das campas, das cruzes, dos copos com cera já derretidos. O dia um de Novembro pouco me diz. É muito raro deixar flores (ou uma simples rosa) no jazigo.


Tento ir sempre longe destas datas. Entro de olhos postos nas pedras - também elas irregulares como da rua - conto os passos que faltam até à cruz Central, onde a 23 de Maio - a freguesia, em comemoração de um aniversário de independência - deposita uma linda mas discreta coroa para homenagear os autarcas já noutra dimensão. 


Esta semana fui aos dois cemitérios de São João da Madeira, onde estão os meus avós - separados por ruas, jardins, prédios, a linha do vouguinha. É um autêntico jardim. Quando me perguntam do que sinto mais falta são dos verões inteiros com calor, de subir a rua íngreme, entrar no Bonzão, beber um café como fazia o meu avô, passar a rua, entrar na ourivesaria do Charrones e pedir para mudar a pilha do relógio que ficou para mim.


Consigo sempre imaginar um diálogo, escutar, ainda que só para mim, aquelas vozes só mais uma vez. Não gosto de Novembro por esta data. Não entro nestes dias. 

Comments

Popular posts from this blog

Palavras no caderno - 2 -