Balanço

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A um mês e um dia de fechar o ano, aproveito para fazer um balanço - antes de me fechar - para efectuar o famoso "inventário". O meu faz-se de algumas coisas, não tantas como gostaria. Até podia puxar dos galões e contar mil e duas histórias de sucesso, de ausência de pedras no caminho, de fins de tarde perfeitos sem vento, de serenidade em cada conversa, mas nunca fui de filtros. E cada vez mais me esgota a paciência para fazer de tipo simpático. Achei que as perdas que tive o ano passado e as palavras reconfortantes que fui recebendo ao longo do caminho me pudessem de certa forma alimentar o âmago. Quando estou menos positivo, só preciso de uma hora talvez nem tanto com a música nos ouvidos e o som do obturador, de beber um café sossegado e escrever qualquer coisa nas notas ou no moleskin. Mas a verdade é que cada ausência de oportunidade e o constante recordar da data de nascimento (ano de 1982) que já não caminhamos para novos ganha a cada passo um novo peso. Sei que vai haver uma altura em que vou olhar o espelho e descubro uma ruga, duas, seis. Que vou encontrar no outrora cabelo loiro umas brancas. Mas que possa olhar para trás e saiba ter dado o valor a cada conquista, a cada erro, aos sorrisos e lágrimas. Gostava sinceramente que o balanço e posterior inventário em 2024 seja mais bem recheado. 


À memória vem-me uma frase "... sei que não dá para mudar o começo. Mas se a gente quiser, vai dar para mudar o final...".  


Fotografia: Parque do Buçaquinho 
Pedro Fonseca / Focal Point Studio

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