Horas longas

Chegou a altura do ano das tardes mais longas. Das juras de amor eterno enquanto o sol desce no horizonte. A época dos gelados partilhados, dos beijos encontrados num banco de areia. De jogos em que o menos magro vai à baliza e o mais baixo joga a central só porque sim. Há trinta e tal anos atrás a minha mãe chamava da janela, apanhava o comboio em primeira classe com o meu avô. Adormecia de janela aberta na casa da avenida. O tempo voou. Quando dei por ela fiz quarenta voltas ao sol, já não jogo na areia e o pôr-do-sol tenta encontrar nas ondas o som de outros tempos.
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