Sonhador de rua
Em tempos fizeste-me crer
Que o mundo era o tal
Onde se tinha toda a pressa
Para viver
Corríamos diariamente
Sem pensar que devíamos parar
E respirar...
Suavemente
Dizias que era o cantor de sonhos
Vendia encantos e amores
Recebia em troca palmas
Saudações e louvores
Chamaste-me sonhador
Disseste para ir à lua
Disse-te: Secretamente vou
Para te imaginar nua
Percorri o mundo
Da palma da minha mão
Sabia bem que lá no fundo
O meu tinha solução
Fui guardando momentos
Respeitando sentimentos
Fui escrevendo
Para me ir esquecendo
Chamaste-me sonhador
Mandaste viajar para a lua
Ainda pensavas que te queria
Ver só, toda nua
Entregaste-me num hospital
Não percebi bem qual
Lembraste-te de dizer
Foste tu que me fizeste crer
Que haveria do lado do mundo
Um tal outro
Que se conhecia
Num micro segundo
Agora perguntar-te-ia:
- Afinal quem é sonhador?
Aquele que escreveu
Ou aquela que lia?
Partilhei mundos
Muitos deles, inventados
Hoje vivemos em diferentes segundos
Por nós, singularmente marcados
Seguiste a tua vida
Na direcção da tua lua
Eu preferi ficar na minha
E imaginar-te de todas as formas
Menos nua!
Talvez sejas tu criação
De uma outra parte de mim
Mas essa nunca teve começo
Por isso não poderá ter um fim
Ouve o silêncio do meu olhar
E as palavras num poema transcritas
Verás que cada um de nós
Viverá vidas distintas
Em tempos criei um mundo
Para vivermos com tranquilidade
Mas esse foi construído
Infelizmente, no centro da cidade
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