Um encontro por acaso - 1
Ela não o viu entrar. A única mesa vaga era ao seu lado. Sentou-se, de auscultadores apoiados no gorro não pediu permissão ela olhava a janela em busca de inspiração, tinha chegado à cidade para visitar a melhor amiga. Pediu um café, que por norma chegava frio, do bolso das calças retirou a caixa em metal de pequenos charutos cubanos, e ficou virado para a rua. Sorriu, pediu desculpa. Ela, embaraçada, corou. Retirou um papel da carteira e escreveu qualquer coisa indecifrável aos olhos dele, não sabia o seu nome.
O empregado, vestido com a fatiota de quem é da casa, cumprimentou-o com um firme aperto de mão e um "este ano ninguém nos tira a taça!". Ele sorriu, concordando. Colocou um pouco de açúcar na chávena branca, mexeu sem muito vigor como gostava de fazer, ao fim e ao cabo ao lado estava uma menina bonita. Embasbacado com o seu sorriso e o cabelo liso - coisa que sempre gostava de ver numa mulher - sorriu ainda mais na sua direcção.
- Chamo-me Teresa.
- E eu, Francisco. De visita à cidade?
- Como sabes?
- Pelo guia que tens em cima da mesa. Queres um conselho?
- Sim. Por favor!
- Perde-te!
- Era o que eu estava a pensar fazer.
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