"Deriva" para outras paragens

Há livros, que invariavelmente ouvimos a voz do autor a contar as suas histórias. Aconteceu com "Becoming" de Michelle Obama, depois com "O programa segue dentro de momentos" do incomparável Júlio Isidro, e numa outra fase "Amália - Num tempo de revolução". Ouvira já falar de Madalena Sá Fernandes e da sua bem humorada escrita nas crónicas do Público. Há livros que nos conquistam pela capa, outros pelo conteúdo, outros, por ambos. Foi - e está a ser - esta "Deriva". Tenho alturas em que deixo o livro esquecido ganhar pó. Depois, leio de uma assentada até os olhos fecharem por vontade própria, como que a dizer "há vida amanhã. Tens tempo daqui a dois dias". Há livros que nos fazem rir, sozinhos numa esplanada ou no muro da praia. E nesses mesmos livros, nos fazem cair lágrimas e suspirar pelos avós que já não temos. A Madalena é mãe, é filha única e teve uma enorme ligação com a avó de Tondela. Refere os cheiros da sua infância. Os meus cheiram a aletria, a tardes quentes na sala de costura de casa da avó de São João da Madeira e olhar meninos e meninas saltarem da primeira prancha da piscina paredes meias com o Estádio. O Conde Dias Garcia onde começou o Cândido Costa. Há livros que nos remetem ao silêncio, às gargalhadas e às memórias. Estou a gostar muito desta capa, e deste conteúdo.


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