O que vir - por acaso

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Numa rua escura da Baixa, 


Uma mulher encosta com força o cigarro entre os dedos, dá uma passa.


Respira fundo. Pede aos deuses que não conhece e não acredita, para que hoje os dois euros se transformem num prémio digno.


Deixa no ar uma nuvem branca. O maço, comprado à pressa no café ainda vazio. Pede um copo de água, é-lhe dado. Do cano. 


Raspa mais uma linha com a moeda pequena que traz no bolso. Ainda não é desta. Suspira pelo anel de noivado que empenhou na loja mais ao fundo. O potativo noivo deu à sola. Cansou-se de a ouvir desprezar o sol, uma amálgama de sopa quente ao domingo.


É terça-feira. Faz frio. 

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