Quando a desculpa já não serve...
28 de Fevereiro,
Hoje esqueci-me do bloco. No regresso ao lugar de sempre ao final da jornada - e tantas vezes de manhã para aproveitar os raios de sol e o canto dos pássaros no parque - oiço um diálogo de pai com os filhos pela mão:
- Hoje foi massa com carne. E para sobremesa um doce de maçã.
O pai, com a mais nova pelo braço exclama:
- Eu só gostava de saber é porque é que a camisola que devias trazer vestida vem pendurada no meu braço. O mais velho corre pela relva e salta para o topo da rocha cinzenta que tem vista privilegiada para as árvores do parque e as janelas da Biblioteca. Uma jovem moça bem vestida encosta-se ao balcão. A porta abre-se, uma bandeja cheia de loiça suja. Num olá seco pedem para activar a máquina de tabaco que se encostou à parede perto da esplanada.
Aqui está-se sossegado. Um homem mastiga pastilha elástica dando assim mais um passo rumo à velhice saudável sem tabaco. Bebe, em goles pequenos sem açúcar o seu quarto café. A televisão, com uma legenda sobre regras à imprensa na Casa Branca. Numa altura em que se pode dizer tudo, o loiro impõe guias-de-conversa. A "Ana Júlia" sai pelas colunas da parede e leva-me a outras paragens. Uma guitarra eléctrica mesmo ali ao pé, youtube sem publicidade. Como diria o grande amigo Lúcio: outros tempos!
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