Palavras escritas à pressa enquanto o peixe está a ser arranjado
Possivelmente é a mesma, ou então é parecida com a Tita, que vivia numa varanda repleta de flores e plantas na rua do escritório em Gaia. Fazia voos rasantes por entre os carros que subiam a mais de cinquenta quilómetros por hora a Rua António Rodrigues da Rocha. Quando surgiram os parquímetros passou a ter uma vida dupla: a de simples gaivota e a de fiscal. Cada carro que parava, ficava atenta ao utilizador. Às moedas que tirava do bolso, aos impropérios às oito e quarenta e cinco. Esta - se não for a Tita - terei de lhe arranjar um nome distinto, com quatro letras: PENA. Lembro-me logo do avançado que tivemos no plantel do Porto. Dela própria, não tenho pena. Come sardinha, cavala, corvina, robalo, amêijoa sem pagar. Só tem de esperar pelo sr. Rogério às 18h59 no parapeito mais próximo.