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A mostrar mensagens de julho, 2026

Palavras escritas à pressa enquanto o peixe está a ser arranjado

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Possivelmente é a mesma, ou então é parecida com a Tita, que vivia numa varanda repleta de flores e plantas na rua do escritório em Gaia. Fazia voos rasantes por entre os carros que subiam a mais de cinquenta quilómetros por hora a Rua António Rodrigues da Rocha. Quando surgiram os parquímetros passou a ter uma vida dupla: a de simples gaivota e a de fiscal. Cada carro que parava, ficava atenta ao utilizador. Às moedas que tirava do bolso, aos impropérios às oito e quarenta e cinco. Esta - se não for a Tita - terei de lhe arranjar um nome distinto, com quatro letras: PENA. Lembro-me logo do avançado que tivemos no plantel do Porto. Dela própria, não tenho pena. Come sardinha, cavala, corvina, robalo, amêijoa sem pagar. Só tem de esperar pelo sr. Rogério às 18h59 no parapeito mais próximo. 

Palavras escritas à pressa enquanto não arranjo mesa para jantar

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Chegou a altura do ano das tardes mais longas. Das juras de amor eterno enquanto o sol desce no horizonte. A época dos gelados partilhados, dos beijos encontrados num banco de areia. De jogos em que o menos magro vai à baliza e o mais baixo joga a central só porque sim. Há trinta e tal anos atrás a minha mãe chamava da janela, apanhava o comboio em primeira classe com o meu avô. Adormecia de janela aberta na casa da avenida. O tempo voou. Quando dei por ela fiz quarenta voltas ao sol, já não jogo na areia e o pôr-do-sol tenta encontrar nas ondas o som de outros tempos.