Todos os Santos Domingos lá estava ela, abrigando-se da chuva e rezando para que a criança tivesse feito birra à meia torrada. Regressa à árvore de barriga reconfortada.
Puxando pela memória, não me lembro de na vida ter conhecido muitas Beatriz. Hoje, a minha actividade levou-me a que os nossos mundos se tenham cruzado. Numa sala a caminho da casa cheia, foi impossível não reparar. Sorriso terno, roupa a fugir para o formal, cabelo escuro em rabo de cavalo. Não foram poucos - os cliques no espectáculo de FF e Anabela na Academia de Música de Vilar do Paraíso, mas os meus olhos prenderam-se nela. Trocámos meia dúzia de palavras, ficámos de nos contactar mais tarde. Sem dar nas vistas, fui em busca do seu percurso profissional: gestora de projectos de apoio à terceira idade na Fundação Belmiro de Azevedo. Ainda Pensei fazer uma graça com o honroso apelido que tenho, mas guardei para mais tarde. Escrevi no mesmo dia um e-mail, endereçando o convite a conhecer a Focal Point Studio - a menina dos meus olhos - por falar nisso fecho os meus, e à memória vem-me o mexer dos lábios a acompanhar as canções, os sorrisos e olhares que o universo se encarregou ...
Calhou de passar, hoje, já com a companhia da lua naquele que eu chamo, o lugar do eterno descanso, aqui, tão perto de casa. A imagem não é de agora, nem sequer do lugar que agora vos descrevo, mas tive pena de não ter o telefone comigo. As velas dão-lhe um valor poético, fotograficamente interessante, mas nos outros trezentos e sessenta e três e dias ficam entregues às suas sombras, das campas, das cruzes, dos copos com cera já derretidos. O dia um de Novembro pouco me diz. É muito raro deixar flores (ou uma simples rosa) no jazigo. Tento ir sempre longe destas datas. Entro de olhos postos nas pedras - também elas irregulares como da rua - conto os passos que faltam até à cruz Central, onde a 23 de Maio - a freguesia, em comemoração de um aniversário de independência - deposita uma linda mas discreta coroa para homenagear os autarcas já noutra dimensão. Esta semana fui aos dois cemitérios de São João da Madeira, onde estão os meus avós - separados por ruas, jardins, prédios, a linha...
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