Notas deixadas ao calhas no telefone
Perco-me nos olhares
Que por aqui vejo passar
Ouço sons de ondas e aves
Vislumbrando nuvens no ar
Roubo minutos contados
Ao tempo que teima em avançar
Vou colecionando momentos
Para mais tarde recordar
O canto das gaivotas
Que devagar vão sobrevoando
Praias outrora desertas
Mas que não perdem (no inverno)
O encanto
Palavras que teimo em repetir
Sons que não me canso de ouvir
Momentos prazerosos para viver
E uma estrada deserta para percorrer
Dos sons da cidade prefiro
Nem sequer ouvir
Em frente a um enorme oceano
Com tesouros por descobrir
São tantas as memórias
Guardadas num só lugar
Nem todas são positivas
Então para quê guardar?
Embrulho num pedaço de papel
Atiro com pujança para o ar
Ao longe uma gaivota vê
Bate forte as asas para agarrar
Nele escrevo o teu nome
Que prefiro ao mar entregar
Talvez nele encontres
Um outro alguém para amar
Deixa então que parta
Sem uma lágrima derramar
Tenho a certeza que para lá do oceano
Encontrarei o meu lugar
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