Segredos guardados em papel de jornal
Secretamente vou guardando bilhetes que contêm segredos inexplicados. Nestes restos de folhas de papel branco vão sendo revelados ideais e ideias mirabolantes, de revelações constantes. Na calma da noite vou construindo um puzzle que se vai moldando com sinais teus, não que sejam nítidos à primeira vista mas vai-se tornando decifrável. Construo a par e passo, utilizando sempre o mesmo compasso para que não me perca em velocidades furiosas ou vagarosas. Deixo-me ficar na minha sala, com vista para o mar, o piano sempre com a cauda aberta com vista para o infinito...
Vou escrevendo páginas sem sentido, sentidas sensações nunca antes vivenciadas. Vou ficando a pé e contemplando madrugadas. No silêncio da noite ecoam risos teus em sonhos que não são mais do que ilusões de um eu inexplorado, de um eu guardado a cada canto nesse encanto que és tu. Vislumbro pegadas ainda marcadas no chão areal que se espraia em frente a minha casa, a casa do lago onde nos perdemos em ilusões e paixões. Vais-te formando aos poucos num puzzle, que já sei, ser só para loucos. Apaixonado, vou vivendo o presente iludindo o futuro com visões do passado.
Guardo pedaços de jornais, nele talvez comece a escrever histórias com personagens reais. Na esperança de um dia acordar do sonho vou compondo, vou escrevendo... acho que acima de tudo, vivendo, aquilo que não vivi para lá da folha de jornal que por acaso li. Vou guardando secretamente desejos teus para que possam coincidir com mundos meus. Serás tu personagem principal numa história com um belo final. Deixarás de ser um sonho, uma mulher construída aos poucos. Eu serei poeta nas horas vagas, amante de mulheres criadas em folhas gastas.
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