Conjugar suplementos num centro comercial às portas de um hospital. O Campus, quem está sentado numa cadeira a imitar a palha da praia e aguarda uma chamada a dizer "já estamos prontas, podes vir" parece um shopping normal, daqueles com vista para o rio ou a sempre caótica aep. O carro estacionado no parque através da via verde, uma voltinha rápida para encontrar um lugar ao pé das escadas. Sei de cor as lojas, a sua localização e os restaurantes para enganar a fome e esconder os receios de uma consulta no SNS. A menina do Café Arcádia sorri, dá os bons dias e prepara o meu pedido com mais cuidado e atenção que uma pessoa da repartição das finanças. Sento-me com vista para um placard de publicidade a imitar madeira e pvc com tudo o que faz mal mas sabe terrivelmente bem: quindão, tarte de limão, bolo mousse, tarte de amêndoa e bolo de chocolate ao estilo do Dubai. A poucos metros de mim, uma jovem moça de unhas pintadas da cor do Benfica, abre a garrafa de frize...
O município de Espinho lançou um desafio giro à comunidade em parceria com a Lipor, que caso não saibam, é uma entidade que trata por tu o lixo que nós fazemos em casa e deixamos na rua. Tem um armazém perto do aeroporto Francisco Sá Carneiro e uma vez por mês os interessados podem levar objectos e artigos que já não usem mas que servem perfeitamente para outras pessoas que não podem comprar novos. E a muito bom preço. A ideia é fazer do átrio junto às escadas do mercado e a segurança social uma biblioteca itinerante. As pessoas são convidadas a levar um livro ou dois e depois devolver. Em Roma, cidade linda que tive o privilégio de visitar no verão passado, as livrarias e lojas de antiguidades têm os livros cá fora. Nos passeios, às vezes autênticas obras de arte. As pessoas param, folheiam, e compram. Hoje fui ao mercado, uma semana - talvez dez dias - depois de ter deixado um conjunto significativo de livros em muito bom estado da minha modesta biblioteca pessoal. Estava...
Decidi tornar a ancorar no cais das palavras. Eventualmente com vontade de percorrer o dicionário das expressões idiomáticas ao latim mais reconhecido nos bancos do parlamento, prometi a mim mesmo duas coisas até ao final do verão: conhecer novas pessoas, voltar a pegar na viola e gravar o álbum que começou em 2008. No outro dia, encontrei por acaso o DVD. Deixei a empregada sair e coloquei na televisão grande da sala da casa dos meus pais. Sistema 5.1, colunas distribuídas, e memórias que nunca mais acabavam. Fazia sol, no vídeo dos ensaios o violão que me foi entregue no meu décimo oitavo aniversário pelo meu avô na cama doze do serviço de pneumologia do Hospital de Vila Nova de Gaia / Espinho, onde, de resto, está igual ao que era. Um pólo cor de laranja de um torneio de golfe que ainda me assenta na perfeição, calças de ganga que ainda estão no meu armário, apenas os óculos e a lombar fazem parte do passado. A voz doce da Tânia, a jovialidade do David, as canções feitas...
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