A ti, Rosa - recados do dia

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Rosa,


Gostava que conseguisses ver o conjunto que esta senhora trazia vestido para a missa das onze. O casaco conjugava de feição com o guarda-chuva comprado à pressa na baixa numa loja dos chineses a caminho de uma consulta no Hospital de Santo António. Subiu a rua dos Clérigos, deixou um euro na caixa que acende uma vela ao calhas no altar, rezou durante uns bons dois minutos. Para pedir a Deus que a ajudasse a ultrapassar os problemas que o novo ano lhe trouxera de 2024. O marido deixara-a na estação da CP, naquela zona onde não é permitido parar mais do que dez minutos. Dera-lhe um beijo apressado nos lábios ainda gretados pela manhã fria de Janeiro. Não havia aviso de greve, passou o andante na máquina amarela e desceu as escadas. Entrou na invicta, e emocionou-se a ver o rio e o casario.


Rosa, tomara que pudesses ouvir o que ela ia a ouvir no telemóvel: as canções da Lena D'água. Subiu a rua na direção da igreja.


Rosa, será que vai demorar muito até fazeres o mesmo caminho que esta senhora, mas de vestido branco até ao altar? Vamos aproveitar que conheço o padre, o Manel do Salão e o grupo de jovens que entoa canções bonitas de manhã. Agasalha-te Rosa. Hoje é sábado, mas está frio. 

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