O que vir - por acaso - 5 de Novembro 2025

Gosto das manhãs de silêncio. Na falta de um tempo mais bonito para um passeio no parque, aproveito a hora de spa do meu cão para uma leitura demorada acompanhada de um chá de frutos vermelhos. Cruzo o parque da minha cidade, onde as folhas acastanhadas dançam ao sabor do vento, das colunas saem notas de jazz, o que nos tempos que correm, fazem-nos parecer estar num mundo à parte. O som da máquina do café confunde-se com a máquina dos trocos, o rapaz que me atendeu, traz-me a conta ao mesmo tempo que me deixa o bule e a chávena branca da buondi na mesa redonda. Digo que depois pago ao sair. Computadores portáteis da Apple contei dois, e um ainda permanece ligado, com o homem de caneta junto ao queixo e phones nos ouvidos.
Numa mesa aqui bem perto dois amigos de uma idade mais avançada que a minha conversam de maleitas. O que permanece em pé diz que precisa de ir fazer análises e um raio X ao pescoço. Queixa-se do tempo de espera para a consulta aberta - 7 de Dezembro - e diz que vai ao privado. Demora-se um pouco mais, e senta-se na esplanada a puxar de um cigarro. Na televisão mais um caso em França de um atropelamento com quatro pessoas em estado grave. O amigo que ouviu impávido e sereno volta a puxar do catarro, interrompe-me a leitura de um encontro de Susan com um dos seus autores preferidos nos Estado Unidos, num tempo em que a lista telefónica trazia a morada de actores, realizadores, etc.
Gosto das manhãs em que o silêncio impera. De preferência que seja também assim o pequeno-almoço. Evito as notícias, é sempre tudo igual ao dia anterior. Mas hoje, Nova Iorque acordará com uma vitória de um muçulmano na câmara. Uma personalidade que foi amplamente criticada pelo Trump. Mas ainda há pessoas que pensam pela sua cabeça.
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