O que vir por acaso - um dia destes

Primeiro passeio do dia. Café quente, acompanhado do sossego que o rito merece. O zuky aguarda um pouco por mim no carro. Saiu de uma realidade de uma box, depois de uma quase morte nos socalcos do Douro. Hoje, dorme onde calha, no sofá corbusier, à sombra de um limoeiro. Ouve jazz. Por nós passa uma senhora, imagino avó, de fato de treino com logótipo da NASA. Assim, de repente, imagino-a a brincar com os netos, a tratá-la como uma estrela. Fui bafejado pela sorte. Tive avós até tarde, mas partem sempre cedo.
É segunda-feira, está sol. Duas janelas abrem-se e deixam as colchas respirar o ar da cidade que vai cheirando a mar e a combustíveis fósseis. Ao longe, já no novo jardim mas de poucas sombras o barulho dos autocarros abafa os pregões das vendedeiras que dizem ter os melhores tomates da região, e as culturas biológicas. É dia de feira, há gente na rua a pedir para uma sopa.
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