Há festa em Paris, pó de tijolo e lantejoulas
Havia, no lugar da actual biblioteca José Marmelo e Silva dois courts de ténis, onde de resto há memórias ainda feitas num rolo Kodak ou Fuji 200 Asa. Havia uma casinha a meio, recordo-me com um telhado vermelho. Naquela altura tudo me parecia desmesuradamente grande, as árvores, as distâncias da escola a casa da Dra. Madalena, a praia da Baía em manhã de verão. Recordo-me de não haver assim tantos canais de comunicação, mas os grandes torneios passavam na RTP 2. Os jogos de basquetebol dos Estados Unidos passavam em diferido, mas os saltos e os afundanços faziam a delícia de todos na escola, por muito difícil que fosse (se quer) chegar à rede do aro vermelho já gasto.
Mas voltando aos dias de hoje. Naomi Osaka defrontou no court central de Roland Garros a atual número um do ranking, venceu em menos de uma hora e meia, mas o que conta é a indumentária, os likes no Instagram, as selfies com as atletas num plano mais abaixo. O vestido usado esta noite já tinha sido usado numa das primeiras rondas, uma das adversárias não achou propriamente piada e disse ao juiz da partida "isto é uma partida de ténis. Não uma passagem de modelos". As lantejoulas produziam um efeito de encadeamento. Hoje, ainda se notou mais com os holofotes e a minha televisão em 4k. O jogo teve bons momentos, só ficámos sem saber a que discoteca a Naomi ia a seguir. Em Wimbledon, ninguém pode jogar a não ser de branco.
Ai, se a rainha estivesse presente!!
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