Quadras da "época"

Em Braga é tradição
Mandar com o martelo
No cachaço do vizinho
Amanhã estará lá a cm
Com um directo (é certinho!)

Os números do turismo
Estão em alta - felizmente
O são João voltou à rua
Para animar toda a gente

O carteirista do vinte e sete
Não tem mãos a medir
Diz que se vai reformar
No Verão que virá a seguir

Já não vejo
Tantos balões
Na noite de São João
Estavam à espera do desconto
E esqueceram-se do cartão

Vão agora à janela
De nariz colado ao ar
Pedem milagres ao sr da cascata
Para o euromilhões poder ganhar

Quem celebra o amor
Em véspera de São João
Merece uma vida fixe
Até à hora da separação

Oh Céu
Que te tornas azul
Nesta noite de São João
Leva uma carta pregada
Na vela do balão

Ela não ia
De certo ler
O que lhe queria
Dizer...

Olho daqui
Do solo
Uma pergunta
(lentamente) a arder...

Queres namorar comigo?

Ele haverá coisa boa
Em noite de São João
Ter um certame sossegado
E levar o Porto a campeão

Há silêncio pela rua
Poucos balões no ar
À pouco vi o Calado
Estava onde não queria estar

Podes ser amarelo
Ou de outra cor berrante 
És festa em cada esquina 
Sobes a escarpa de rompante 

Não sabes as linhas do metro
Preferes um passeio de avião 
Lá de baixo ouves martelos 
Que aquecem o coração 

És culpado de nascimentos 
A mais no mês de fevereiro 
Para te celebrarem uma noite 
Esperam um ano inteiro 

A cascata já lá mora 
Na muralha fernandina
És festa de gente pobre
Mas genuína

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O voo melancólico da manhã

Os aproveitadores de paixões alheias

A vontade, independentemente de tudo à volta estar caótico, regressou